terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Carnaval em Salvador

Faltando um mês para o iníco da festa momesca, olha que expressão poderosa, a cidade só fala e respira o dito carnaval, eu detesto, ainda bem que moro bem longe e nem lembro que existe uma muvuca desesperadora perto de mim.
Semana passada a prefeitura lançou o Estatuto do Carnaval, onde fez mudanças e determinações em vários pontos da festa, aumentou o número de arquibancadas gratuitas no Campo Grande e um dos pontos que mais gerou discórdia foi o de alimentação, proibiu a venda de espetinhos, de qualquer tipo camarão, carne, cachorro quente, a higiene terá que ser muito maior, com mais fiscalização, até o gelo tem que ter selo de procedência, lógico que o povo berrou, mudanças sempre geram conflitos, ainda mais aqui onde um dos pontos mais tardicionais de comida de rua, o Mercado do Peixe eu não ponho meus pés nem se tiver há duas semanas sem comer, tal é a imundície daquele lugar, então esse ponto vai dar muito pano pra manga.
Mas o que mais me revolta são os trios, os grandes trios, das grandes "estrelas" baianas, eles são obrigados a fornecerem EPI´s aos cordeiros, aquelas pessoas que ficam segurando a corda em volta do trio que mantém os foliões dentro da área determinada e paga, bem paga diga-se de passagem, esses equipamentos são protetor auricular, boné, sapato, protetor solar, luva, lanche e 3l de água, menina o mundo veio a baixo, porque os descarados como diz o baiano, falaram que isso torna inviável o processo, pois fica muito dispendioso, gente essas pessoas ficam horas, umas 8h em média nessa luta de segurar corda, levando safanão, soco e tudo mais, ganham uma miséria por dia, ano passado se não me engano foi R$ 25,00, isso mesmo vinte e cinco reias e levam meses para receberem, vocês sabem quanto custa um abadá, a camiseta que se compra pra entrar no trio, Camaleão custa os 3 dias R$ 1.490 e Nana Banana R$ 1.410, ambos são do chiclete com banana, e além dos trios esses "artistas" ainda têm os camarotes, o camarote do Nana para homem sai a bagatela de R$ 2.790,00 para mulher R$ 2.540,00, por pessoa, agora multiplique pelos milhares e milhares que compram, porque eles arrastam multidões e me diga se eles não tem condições de fornecer os EPI´s dos cordeiros, acho isso uma falta de vergonha na cara, uma falta de caráter, queria muito que um dia não aparecesse ninguém pra ser cordeiro, como eles iam fazer, mas a pobreza fala mais alto e R$ 25,00 é melhor do que nada.
Enquanto isso o povo continua pagando e se divertindo, afinal pra eles somente isso importa.
E viva a escravidão!
Bj!

5 comentários:

Silvia disse...

é uma amebice difícil de entender. mas pra quem tem carteirinha de folião deste tipo, não espero muita revolta não. é bem provável que eles ainda invejem os "cordeiros", por que estão lá e ainda "recebem". :P
o mundo está tomado de pessoinhas sem noção.
bjocas pra você!

olho de bicho disse...

Esse é o país do carnaval... do samba... da alegria...

Valentina disse...

Pior que antes eu achava que o Brasil era mesmo o país do carnaval, blá blá blá... mas hoje eu acho que somos nós os culados das coisas serem assim... aceitamos e acabamos acreditando que nosso "destino" como país é esse: alegria, descompromissamento com as outras pessoas... um caos...

Só a gente pode mudar tudo isso... mas quantos de nós iriam trabalhar realmente para isso?

Para onde vcs vão viajar que é mais frio que aí em Salvador?

Beijo

olho de bicho disse...

Eu estava sendo irônica, não curto carnaval.
Tem selinho para vc no meu blog

Luciana Håland disse...

Nossa, fiquei nude também com os valores, que horror, não imaginei que estivesse tão caro, e vergonha alheia total isso de dizerem que fica inviável garantir essas exigências para os cordeiros.
Mas não tem lei ainda sobre isso? Se não tem devia ter.
Já a venda de comidas pelo povo, como os espetinhos e tal, isso acaba favorecendo os grandes, nem sei se pode se considerar questão de higiene, pois uma vez, naqueles testes do Fantástico, foi mostrado que encontraram mais bactérias em comidas de restaurantes do que nas vendidas por ambulantes(será esse o nome), enfim, pelo povo que vende nas ruas ou montam quiosques. Eu adorava comer os churrasquinhos e cachorro quente na rua.
Beijo